Elaine foi uma das pessoas que me perguntou sobre o final da maratona do curso de sueco que fiz na Universidade de Estocolmo e quais foram minhas impressões. Na verdade, não sei nem por onde começar.
Bom, vamos recapitular um pouco. Quando terminei o SFI, me sentia bastante confiante. Afinal, tive um excelente experiência: professores ótimos e uma turma super integrada. Minha passagem pelo SAS G foi bem rápida, nada que me deixasse sequelas irreversíveis. Ao fazer a prova da uni, pensei que entraria num nível mais avançado e ao avaliar o teste, senti que estava no caminho certo.
O curso é dividido em dois semestres, cada um com quatro disciplinas. No primeiro deles (chamado de nível 2, dã!), tive logo de cara uma experiência traumatizante. Esta professora, por sinal, foi uma das melhores que tive durante todo o curso, pode acreditar!
Ainda neste semestre, o único que possui aula de gramática, tive a má sorte de pegar uma professora incompetente e despreparada (lembrem-se deste adjetivo, ainda vou usar muito por aqui!). Sim, porque ela nunca corrigia os exercícios corretamente, se esquivava em responder nossas dúvidas e sempre empurrava a possível resposta para a próxima aula. Ela costumava dizer que dúvidas podem ser tiradas com a gramática e não com um professor. Em outro grupo, no qual uma das minhas colegas estudou, havia uma professora de gramática excelente. Foi apenas falta de sorte minha.
O curso de oral foi um dos mais produtivos, apesar de acreditar que não precisamos ler livros de literatura num curso de oral. Isso não ajuda a desenvolver a linguagem falada (principalmente se você lê um livro escrito no final do século 19 com palavras que nem mais existem). O argumento de ler tais livros é ter assunto para poder discutir em sala. Ora, se você quer medir a desenvoltura oral, porque não utilizar assuntos cotidianos e usar jornais como material de trabalho?
Terminei o nível 2 aliviada, desgostosa e um pouco decepcionada.
Mas minha real decepção veio com o nivel 3. O show de despreparo dos professores é incrivel (ou é isso ou meu nivel de exigëncia é extremamente elevado!). Como no nível 2, este também é dividido em 4 disciplinas.
A disciplina de oral, foi dividida com dois professores. Na primeira parte, escrevíamos e líamos mais do que falávamos. Na segunda parte, usamos um dos livros da perdida (o curso foi com ela), fazíamos correções de frases e discutíamos o porquê dos erros. Foi que salvou o curso (na verdade foi mais uma aula de gramática do que oral).
Numa outra disciplina, o professor responsável era despreparado (no sentido de não preparar aula do dia seguinte e de não saber explicar o porque das coisas), incoerente (um dia afirmava que o céu era azul e no outro dia dizia que era verde), irresponsável e sem critério. Eu simplesmente não tinha paciência.
Além disso, todos eles nos tratavam como se estivéssemos no jardim da infância.
Ao final de cada semestre, eles nos dão questionários de avaliação de qualidade, onde o aluno pode escrever o que o curso precisa melhorar. Apesar de não servir mais para quem esta finalizando o curso, existe sempre a esperança de que um dia algo evolua para melhor.
Procuro também ver as coisas pelo lado positivo. Acredito que foi uma experiência interessante e enriquecedora. Mas do ponto de vista acadêmico, decepcionante. Não desaconselho ninguem a não fazer o curso. Muito pelo contrário. Estimulo todos que me perguntam, pois o balanço deste curso só é válido para a minha pessoa. É um ponto de vista meu e de mais ninguém (mesmo se existam outros descontentes por ai).
Provavelmente vão existir outros que passaram ou passarão pelos mesmos professores e terão outras opinições a respeito. Por isso, não desanimem ao ler este post. Como disse mais acima, meu grau de exigência é bastante elevado e o de paciência pelo não cumprimento desse grau é inversamente proporcional.
Este R (r*) é para ser pronunciado como na palavra CARO.